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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Canapum (Physalis angulata)



Physalis angulata L. é uma planta pertencente à família Solanaceae bastante utilizada na medicina popular, principalmente na América do Sul, em países como Peru, Colômbia, Suriname e Brasil (SILVA et al., 2005). É uma planta rica em ácidos orgânicos (cítrico e málico) caroteno, alcalóides, saponinas, fisalinas, fósforo, ferro e alto teor de vitamina A e C (LOPES et al., 2006). 

Essa espécie tem ocupado destaque fitofarmacológico nos últimos anos, em virtude da presença de metabólitos poli-oxigenados e vitaesteróides (Tomassini et al., 2000).  Physalis angulata  L. é uma espécie que apresenta grande relevância em virtude do elevado potencial da espécie para produção de fitofármacos, já que pesquisas comprovam a eficiência de compostos secundários produzidos por essa espécie, a exemplo das fisalinas, que possuem importantes valores fitoterápicos, podendo ser utilizados em tratamento de carcinomas e doenças renais.

Seu lado medicinal não deixa a desejar: é conhecida por purificar o sangue, fortalecer o sistema imunológico, aliviar dores de garganta e ajudar a diminuir as taxas de colesterol. A população nativa da Amazônia utiliza os frutos, folhas e raízes no combate à diabetes, reumatismo, doenças da pele, bexiga, rins e fígado. A planta tem sido estudada também por fornecer um poderoso instrumento para controlar o sistema de defesa do organismo, diminuindo a rejeição em transplantes e atacando alergias. Pesquisadores da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) da Bahia identificaram substâncias com esse potencial na Physalis angulata e já solicitaram patente sobre o uso delas. Testadas por enquanto em camundongos, espera-se que as fisalinas (chamadas de B, F e G) tenham um efeito tão bom quanto o das substâncias usadas hoje para controlar o sistema imune, mas com menos efeitos colaterais, quando forem usadas em pacientes humanos.


“Em geral, ela é usada na forma de chá ou infusão”, diz Milena Soares, pesquisadora da Fiocruz. A erva cresce na América Latina e na África, e as moléculas que produz, as fisalinas, atraíram a atenção dos cientistas porque pertencem ao grupo dos corticosteróides, usados hoje para controlar o sistema imune. “Essas substâncias já tinham sido descritas, mas nós fomos os primeiros a estudar suas propriedades”, conta Soares. O trabalho foi publicado na revista científica “European Journal of Pharmacology” (www.sciencedirect.com/science/). Se for comprovado que as substâncias causam menos efeitos colaterais, a pesquisadora diz que os pacientes com o sistema imune hiperativo seriam poupados de inchaços ou da diminuição da produção de células do sangue na medula óssea, causada pelos medicamentos utilizados hoje.

Cultivo
Para obtenção de mudas dessa espécie  pode-se utilizar sementes (via sexual)  ou a propagação vegetativa via estacas ou microestacas (propagação in vitro). Todos estes métodos podem ser utilizados para propagação comercial, no entanto, a propagação in vitro é uma técnica que permite propagar mais  rapidamente variedades selecionadas, além de garantir a produção de mudas livres de vírus, bactérias e fungos, possibilitando, desta maneira,  a produção de material de alta qualidade genética e sanitária.

Dentre o comércio de pequenas frutas o physalis (P. angulata L.) tem se mostrado uma importante alternativa de renda, devido ao alto valor agregado e a possibilidade de cultivo em pequenas áreas (POLTRONIERI, 2003). 

A physalis (P.angulata L.) é uma planta perene, porém, cultivada comercialmente durante 3 anos, produzindo até 3 Kg de frutos por planta/ano. Esta se destaca por sua ampla adaptabilidade de clima e solo e facilidade no cultivo. Devido a isso, Santa Maria no Rio Grande do Sul está se tornando um pólo de cultivo desta fruta de origem Colombiana, onde corresponde por 70% da exportação de frutas deste País.

A physalis é uma planta rústica, que exige poucos cuidados, e que até agora não apresentou uma doença significativa que possa ser grande ameaça ao cultivo. Desenvolve-se bem em regiões quentes, de clima tropical e subtropical, mas tolera bem o frio. 
Antes de plantar, é aconselhável realizar análise de solo, que deve ser preparado com as mesmas recomendações para o cultivo do tomate. Os melhores solos são os areno-argilosos e pouco ácidos. A semeadura é feita em bandejas de isopor com 128 células, copos plásticos ou saquinhos de polietileno, com substrato para hortaliças, usando-se uma semente por célula, copo ou saquinho. A germinação se dá em cerca de 20 dias.
Quando as plantinhas estiverem com mais ou menos 20 centímetros de altura podem ser transferidas para o local definitivo. Plantam-se grupos de quatro mudas, distantes 30 centímetros uma da outra, em forma de quadrado (uma planta em cada canto). No centro, coloca-se uma vara de bambu ou madeira com cerca de dois metros de altura, para que as plantas sejam amarradas até o final da produção. O espaçamento entre as linhas é de dois metros. A colheita começa quatro meses depois do plantio e estende-se por seis ou oito meses. Cada planta produz até três quilos de frutas.
Curiosidades sobre a Physalis

* No Brasil, a variedade nativa é a Physalis angulata

* No Japão, existe variedade de cor vermelha chamada hosuki. Lá, anualmente, acontece a Festa do Hosuki
* As variedades capsicifolia, esquirolii, lanceifolia, linkiana e ramosissima encontram-se espalhadas pela América, Europa e Ásia
* Apesar de ser bastante rústica e exigir poucos cuidados, é imprescindível o controle de insetos a partir da floração
* Utilizando-se o tutoramento, como nos plantios de tomate ou pimentão, é possível obter uma produção maior em menos tempo
* A physalis também é utilizada como tira-gosto em degustações de vinho
* Na Austrália, a physalis rende uma conserva fina exportada para vários países
* Em Paris é servida em restaurantes elegantes, coberta com chocolate
* Estudos científicos recentes estão revelando que a planta apresenta forte atividade como estimulante imunológico e efeito antiviral contra os vírus da gripe e herpes. Contém alto teor de vitaminas A, C, fósforo e ferro, além de flavonóides, alcalóides, fitoesteróides, alguns recém descobertos pela ciência
* A physalis é rica em carotenóides. Os carotenóides estão na lista dos compostos bioativos considerados funcionais, ou seja, aqueles capazes de prevenir doenças. São corantes naturais capazes de afastar males como cegueira noturna, catarata e até câncer
* A fruta também pode ser encontrada no comércio em forma liofilizada em cápsulas
Ficha da Planta

Plantio: qualquer época do ano


Solo: areno-argiloso, rico em matéria orgânica e com pH entre 5,5 e 6
Clima: tropical e subtropical, mas tolera bem o frio
Colheita: a partir de 120 dias depois do plantio das sementes; pode estender-se por um período de por seis ou oito meses. Cada planta produz até três quilos de frutas.
Receita deliciosa com Physalis
Quem quiser experimentar esta delícia de fruta, pode preparar a receita criada pelo site www.physalis.com.br – Aí vai:


Kudamono (Sashimi de physalis)

Ingredientes: 4 bananas nanicas, 2 maçãs, 8 physalis, 2 carambolas, 8 cerejas, 2 laranjas, açúcar de confeiteiro o quanto baste, 300 ml de creme de leite fresco, 300 ml de leite integral, 80 g de açúcar, 1 fava de baunilha, 2 colheres de sopa de maisena (rasa), 4 gemas.
Modo de fazer: Misture o creme de leite e o leite e acrescente a fava de baunilha aberta e raspada. Leve ao fogo e retire antes de levantar fervura, reserve. Bata as gemas com o açúcar e a maisena e dilua o composto com o creme de leite e o leite reservado. Leve ao fogo brando e mexa ate alcançar a textura desejada, reserve. Distribua o creme de baunilha no centro de cada prato e decore com as frutas devidamente trabalhadas, salpique com o açúcar de confeiteiro.
Fontes de Pesquisa: Revista Globo Rural, Revista Isto É, Universidade de Los Andes e Depto. Ministério de Agricultura y Desarrollo de Colômbia, Plantas Medicinales, www.anbio.org.br e www.physalis.com.br

13 comentários:

  1. boa tarde, gostaria de saber onde conseguir mudas ou sementes desta fruta assim como a de guabiraba, uma fruta vermelhinha q conheci no Ceará qdo criança. E tb receber informações sobre o cultivo seria maravilhoso. Desde já agradeço.
    Francisca

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  2. Olá Francisca, obrigado pela visita. Fca, há alguns meses atrás eu vi no site: http://www.tabutinssementes.com.br/. E quanto a guabiraba, será tema de uma próxima postagem.
    Mais uma vez, obrigado pela participação.

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  3. Boa tarde! Meu nome é Mariana...achei muito interessante o seu blog! Sou mestranda em ciências do alimentos pela UNESP. Adorei essa página, pois vou trabalhar com physalis...fruta maravilhosa!

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  4. Obrigado, Mariana. Realmente o Canapum é uma fruta maravilhosa, é um dos sabores de minha infância.

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  5. Bom dia! Comecei um plantio no quintal com essa maravilhosa frutinha comm sabor do interior!

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  6. É uma fruta muito gostosa, madura, é bem adocicada.

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  7. Maravilha, acho que por essas e outras frutas que comia na infância eu era tão saudável e forte contra doenças comuns nas outras crianças.

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  8. fruta da minha época de criança......comia muito

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  9. nossa!!! no meu quintal nasce um monte e eu sempre arrancava achando q era uma planta inutil

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  10. Aqui em Natal tem muito canampu, gostaria de saber se é feito o chá ou só come a fruta

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  11. como saber a diferença da planta frutifera physalis angulada da peruviana? tenho uma aki em casa e nao sei qual é a delas.

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