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quinta-feira, 24 de março de 2011

Cabeça-de-Frade (Melocactus zehntneri)



Características: Cacto de forma cilíndrica, com costelas bem acentuadas, com espinhos marrons numerosos, mas curtos e direitos. À medida que cresce pode tomar a forma de uma pirâmide e na maturidade desenvolve uma cabeça no topo, chamada de cephalium, coberta de espinhos bem pequenos, delgados e vermelhos. Entre os espinhos nascem pequenas flores rosadas ou vermelhas.
A coroa desse cacto no passado era muito usada na confecção de uma peça para cela de montar. Da coroa é extraída uma lã parecida com algodão. Estes da foto foram fotografados no povoado Sobrado entre Itabaiana e Macambira em uma pedreira. Vive quase exclusivamente com o sereno da noite.

Floração: Apesar de ser mais intensa no verão, pode ser vista o ano todo.

Frutificação: Pequena baga vermelha que serve de alimento para pássaros e animais.



Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cabe%C3%A7a-de-frade

sexta-feira, 18 de março de 2011

Palma (Opuntia ficus-indica)



A Opuntia ficus-indica (L.) Miller, espécie da família das cactáceas, gênero  Opuntia, é também conhecida como figueira-da-índia, nopal, nopalera, higuera-de-indias, higuera-depala, tuna, figueira-da-barbaria, figuera-de-mor e indiapico, natural da América, provavelmente do México; é cultivada na América tropical e subtropical e nos países mediterrâneos (Ramadan & Mörsel, 2003, Manica, 2002).
  


No Brasil, a  Opuntia sp. foi introduzida pelos portugueses, no período colonial, em meados do século XVIII, com o objetivo de desenvolver a criação de cochonilha para obter um pigmento carmin, muito utilizado nas indústrias de roupas, cosméticos, pinturas, medicamentos e alimentos. Diante do insucesso deste objetivo, a partir de 1900 esta planta passou a ser utilizada como forragem.  

Palma com cochonilhas

Cochonilhas 

Das várias espécies introduzidas, apenas três apresentaram ótima adaptação: a palma graúda ou grande (Opuntia sp.); a palma miúda (Nopalea cochenillifera, Salm-Dyck) e a palma redonda (Opuntia sp.) (Sobreira Filho, 1992).
Palma Graúda

Palma Miúda

Palma redonda

Atualmente, a área plantada, cerca de 500.000 Ha., na Região Nordeste e estados de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, é destinada precipuamente à obtenção de forragem para alimentar os rebanhos no período de estiagem.  Seu cultivo para a produção de frutos é ainda emergente no país, concentrando-se em São Paulo, na região de Valinhos, e, de forma incipiente, nos estados de Pernambuco e Paraíba. Do total produzido em São Paulo, apenas uma pequena parte é destinada ao mercado interno, enquanto a maior parcela é exportada para a Europa e Estados Unidos, onde existe o hábito de consumo deste fruto, considerado exótico (Souza, 2005; García & Valdez, 2003; Glass, 2005).



Características: Cacto suculento, ramificado, de porte arbustivo, com altura entre 1,5 e 3 m, ramos clorofilados achatados, de coloração verde-acinzentada, mais compridos (30 - 60 cm) do que largos (6 - 15 cm), variando de densamente espinhosos até desprovidos de espinhos. As folhas são excepcionalmente pequenas, decíduas precoces. 


A espécie mais cultivada é a palma doce ou miúda (Nopalea cochenilifera) cujas raquetes alongadas possuem em média 25 cm de comprimento. É a menos resistente à falta de água mas é a mais palatável e nutritiva.


A palma é resistente à falta de chuvas, armazena uma grande quantidade de água e tem alta digestibilidade. Há produtores rurais que conseguem até 30 toneladas de matéria seca de palma em apenas um hectare, o que significa a produção de aproximadamente 300 toneladas de palma a cada dois anos.



Floração: As flores podem amarelas, laranjas ou vermelhas. São brilhantes e bem vistosas.



Frutificação: Os frutos são amarelos-avermelhados, suculentos, com aproximadamente 8 cm de comprimento, com tufos de diminutos espinhos.

O fruto da palma já é comercializado nos supermercados como "figo da índia". Tem um sabor muito bom e teor de proteína bastante alto.
Tanto o fruto como a utilização da palma como verdura e para fazer diversos outros pratos ainda é tratado com preconceito alimentar. Os textos que se referem à Palma aqui no Nordeste tratam-na sempre como forrageira e ela não é só forrageira. É antes disso um alimento humano.






Fonte: http://www.redalyc.org/pdf/813/81311226004.pdf

quarta-feira, 16 de março de 2011

Xique-Xique (Pilocereus gounellei)



Cacto típico de todo sertão nordestino. Invadem as serras e caatingas do nordeste. Seus galhos se arrastam pelo chão formando verdadeiros alastrados. Os espinhos são agudos brancos e se formam em um conjunto com vários espinhos. A planta é de cor verde claro. Ao lado do mandacaru é um dos frutos da caatinga disputados por colecionadores da espécie e integra alguns cardápios exóticos do Nordeste brasileiro (com pratos como o "cortado" de xique-xique). 


O Xique-xique é uma Cactaceae utilizada, pelos agricultores, como uma alternativa para alimentação dos animais em períodos de longa estiagem nas caatingas do Nordeste brasileiro. Esta planta é a última alternativa dos agricultores para salvar seus animais, devido a grande dificuldade de sua utilização. 

Foi avaliado o efeito da utilização do xiquexique sobre o ganho de peso de 12 caprinos, no período de agosto a novembro de 2005. O delineamento experimental constou de três tratamentos com quatro repetições. Os animais consumiram no período, uma média de 351,13 kg de fitomassa de xiquexique no período. O consumo diário de foi de 6,63 kg/dia.  Os animais que receberam suplementação tiveram uma perda de peso menor do que aqueles que permaneceram em pastejo contínuo na caatinga.


Floração: coloca flores rosadas protegidas por uma espécie de algodão natural produzido pela planta. As flores surgem nos meses que antecedem as trovoadas, geralmente de dezembro a janeiro.
Frutificação: os frutos são bagas de tamanho médio, verde por fora e vermelha por dentro, repletos de sementes que são muito apreciadas por aves e animais da caatinga.

sábado, 12 de março de 2011

Macambira (Bromélia laciniosa)

Macambira (Bromélia laciniosa)


A macambira está presente nas caatingas do Nordeste, da Bahia ao Piauí. A planta herbácea, da família das Bromeliáceas, que cresce debaixo das árvores ou em clareiras, possui raízes finas e superficiais, folhas que podem atingir mais de um metro de comprimento por vinte centímetros de largura, espinhos duros, e um rizoma que fornece uma forragem de ótima qualidade.
Em se tratando de cor, a macambira pode ser verde-claro, verde mais escuro, verde cinza, violácea ou amarela, dependendo, entre outros fatores, da umidade do ar e do solo. Em locais mais abertos e expostos ao sol, a face ventral das folhas pode-se apresentar violácea ou roxo-escuro.

O vegetal simples, de raízes superficiais, desenvolve-se nas terras mais áridas dos trópicos, se alimenta de ar atmosférico e possui umidade suficiente para resistir às duras secas. Os frutos, amarelos quando maduros, exalam um odor ativo e característico, assemelhando-se a um cacho de bananas pequenas. E suas bagas medem de três a cinco centímetros de comprimento, e têm um diâmetro que varia de dez a vinte milímetros.



Do limbo das folhas da macambira, os sertanejos retiram as fibras aproveitáveis. Com golpes precisos de facão, os espinhos são retirados e, depois, juntam-se as folhas em grandes feixes, que fica macerando durante vários dias. Quando amolecem as partes fermentáveis, as folhas são retiradas da maceração, batidas, espremidas, lavadas e colocadas em jiraus para secar ao sol. Todo esse processo exala um forte mau cheiro, tendo que ser feito bem longe das casas. Caso seja realizado às margens de rios, os pequenos peixes morrem embebedados. Meu avô, Sr. Nascimento Tomé, fazia vassouras da fibra da macambira. 

Existe, ainda, outro processo para se extrair as fibras da macambira. Trata-se de um método árduo, através do qual a folha é arrastada sobre o arame de um aparelho conhecido por tiralinho; depois é esmagada e passada entre os dentes de um pente metálico, para se retirar toda a parte mole. A partir daí, as fibras descobertas são lavadas, penteadas, e colocadas para secar.


Uma outra operação, bastante ingrata, é a extração da massa da base dilatada das folhas (capas). O sertanejo corta algumas folhas, no ponto em que começam a se alargar, para alcançar a cabeça da macambira. Várias cabeças são amarradas umas às outras, formando-se atilhos que os burros transportam em suas cangalhas; ou os próprios caboclos carregam nos ombros, quando não dispõem dos animais. O trabalho de apara é bem árduo: há que retirar os espinhos, recortar as bordas, e fazer a despela, ato que consiste em levantar a epiderme, guarnecida de forte cutícula, com a ponta de uma faca. E as capas são piladas visando separar a fécula das fibras.
A massa bruta é batida, espremida e lavada em água, várias vezes, para retirar o máximo possível do fortume. Isto tudo deixa as pessoas com os dedos muito feridos, devido à ação corrosiva daquela substância. Após a decantação, a massa, de cor branca, é envolvida em um pano, passada em uma prensa rudimentar para escorrer o restante de água, e colocada ao sol para secar.

Com a massa, em uma cuscuzeira, os sertanejos fazem um pão semelhante ao de milho. Costuma-se adicionar um pouco de farinha de mandioca à massa, para aumentar a liga e diminuir o travo no gosto. A massa também é comida em forma de pirão, com leite, ou carnes, que advêm da caça de animais presentes nas caatingas: cotia, gambá, tatu, teju, veado-catingueiro, preá e aves (pomba, asa-branca, quenquém e juriti). A massa pode ser estocada de um ano para outro. Em tempos de penúria extrema, a macambira auxilia a sobrevivência do sertanejo e dos rebanhos.


 

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