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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cajarana - Spondias Lutea



Árvore

Altura comercial: 8,80 m; Diâmetro (DAP): 58,53 cm; Tronco: retilíneo/tortuoso.


Características Gerais

Cerne/alburno: indistintos; Cor: branco (2,5Y 8/2); Obs: a cor é alterada para cinza-claro 5Y7/2), devido ao ataque de fungos; Camadas de crescimento: indistintas; Grã: direita; Textura: média; Figura tangencial: pouco destacada, causada pelas linhas vasculares; Figura radial: pouco destacada, causada pelos raios; Obs.: podem ocorrer manchas acinzentadas, causadas pelo ataque de fungos; Brilho: ausente; Cheiro: imperceptível; Resistência ao corte manual: macia.



A espécie  Spondias lutea L. apresenta como  centro de origem a América Tropical e se encontra amplamente distribuída no Brasil (PINTO et al., 2004). São encontradas isoladas ou agrupadas, notadamente em regiões da Amazônia e da Mata Atlântica, prováveis zonas de dispersão da espécie, e nas zonas mais úmidas dos Estados do Nordeste (SOUZA  et al., 2000). No estado de Sergipe, observa-se uma ampla distribuição da espécie em áreas marginais aos cursos d’água. 

De acordo com Lorenzi (1992), a madeira da cajazeira é própria para marcenaria e carpintaria, sendo muito empregada na Região Norte para a construção de pequenas embarcações. No Nordeste, seus frutos têm participação crescente no agronegócio da região, principalmente pela comercialização para consumo como fruta fresca e processamento de polpa como matéria-prima no preparo de sucos, picolés, sorvetes, néctares e geléias (SOARES et al., 2006).

Preservação
Madeira muito fácil de tratar com creosoto (oleossolùvel) e com CCA-A (hidrossolúvel).
Secagem em estufa

Número de amostras: 24; Teor de umidade inicial: 186,0%; Teor de umidade final: 12,8%; Classificação: 2,1 dias, apresentando pequena tendência ao torcimento médio. Moderada tendência ao encanoamento médio; Programa utilizado: forte.


Fonte:


LORENZI, H.   Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil.  Nova Odessa: Plantarum, 1992.  384p

SOUZA, F.X.; SOUSA, F.H.L.; FREITAS, J.B.S.; ROSSETI, A.G.  Aspectos morfológicos da unidade de dispersão de cajazeira.   Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.35, n.1, p.215-220, 2000.

SOARES, E.B.; GOMES, R.L.F.; CARNEIRO, J.G.M.; NASCIMENTO, F.N.; SILVA, I.C.V.; COSTA, J.C.L.  Caracterização física e química de frutos de cajazeira.  Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v.28, n.3, p.518-519, 2006.

sábado, 21 de maio de 2011

Mofumbo - Combretum leprosum


Mofumbo é uma árvore brasileira nativa da caatinga, no Nordeste, desde o Piauí até a Bahia, e no Pantanal Matogrossense (nos cerradões e matas semidecíduas). O nome mofumbo é comum no Nordeste. No Mato Grosso do Sul é conhecida como carne-de-vaca.

Características

A árvore chega a 5 m de altura, o tronco a 60 cm de diâmetro e sua copa é globosa. Na caatinga e no cerrado seco seu tamanho é menor, como um arbusto.
As folhas, simples, são opostas, com pontuações brancas - daí o nome da espécie - em ambas as faces, nervação levemente saliente.
As inflorescências, em panículas de rácemos terminais e axilares, têm flores ligeiramente amareladas.

O fruto é uma sâmara alada, de cor palha.

Ecologia

Semidecídua, heliófita, seletiva xerófita, é uma planta pioneira, exclusiva das matas secundárias secas. Sua dispersão é descontínua, mas sua freqüência é elevada. Prefere terrenos argilosos, calcários, bem drenados e férteis.
Floresce de outubro a dezembro e os frutos amadurecem a partir de agosto.
Tem a propriedade de inibir a germinação e o crescimento da vegetação ao seu redor.

Usos

Suas flores, apícolas, são fonte de alimento para a jandaíra (Melipona subnitida).
Tem uso na medicina popular:
  • as raízes são usadas em xarope, infusão ou decocto contra tosse e coqueluche
  • as folhas e entrecasca são usadas em infusão como hemostáticas, sudoríficas e calmantes
  • suas folhas e frutos são anti-asmáticas
  • sua casca é afrodisíaca.
Seu extrato tem efeito vasodilatador e é usado contra leishmaniose.

Fontes






  • Lorenzi, Harri: Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas do Brasil, vol. 2. Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP, 2002, 2a. edição. ISBN 85-86174-14-3
  • Lorenzi, Harri; Abreu Matos, Francisco José de: Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas cultivadas. Instituto Plantarum, Nova Odessa, SP, 2002. ISBN 85-86714-18-6

domingo, 15 de maio de 2011

Jurema - Mimosa hostilis


A Jurema é uma planta da família das leguminosas, comum no Nordeste brasileiro, com propriedades psicoativas. A família das leguminosas possui importantes espécies cultivadas para alimentação inclusive do nordestino (Mangalô, Andu, Algaroba além de Feijões de diversas espécies incluindo a Soja – a subfamília Faboidea ou Fabaceae) e exerce importante função ecológica por abrigar espécies de bactérias nitrificantes ou seja que fixam nitrogênio, essencial para a vida, no solo.

O termo Jurema designa várias espécies de Leguminosas dos gêneros Mimosa, Acácia e Pithecelobium. No gênero Mimosa, cita-se a Mimosa hostilis Benth., a Mimosa Verrucosa Benth e a Mimosa tenuiflora. No gênero Acácia identifica-se a Acacia piauhyensis Benth, ou Acácia jurema, além disso várias espécies do gênero Pithecellobium também são designadas por esse mesmo nome.

A classificação popular distingue a Jurema branca e Jurema preta. Para Sangirardi Jr.(o.c.) a Jurema preta é a M. hostilis ou M. nigra, a Jurema branca o Pithecellobium diversifolium Benth e a Mimosa verucosa corresponde a Jurema - de – oeiras. Ainda segundo esse autor o termo Jurema, Jerema ou Gerema vem do tupi yú-r-ema – espinheiro. Entre espécies conhecidas como jurema inclui-se ainda: Jurema-embira (Mimosa ophthalmocentra); Jurema-angico (Acacia cebil).


Além da Jurema a família das Leguminosas também abriga entre quatro e cinco espécies com compostos psicoativos em sua composição bioquímica, a saber: Erythrina crista-galli, o Mulungu ou Corticeira conhecido sedativo; Mimosa pudica com propriedades anti- reumáticas, sedativas, laxantes.

Piptadenia peregrina (da qual se faz o rapé Paricá com propriedades psicoativas utilizado por índios da Amazônia em rituais). (Sangirardi Jr.1983 (o.c.)) Algumas variedades de Acácia australianas tipo a Acacia maidenii também possuem propriedades semelhantes à Jurema.



 Composição fitoquímica
Já foi identificado nas cascas e raízes frescas da Jurema (Mimosa hostilis): um alcalóide denominado por Nigerina em 1949 (Lima, Gonçalves O, apud Sangirard Jr.,o.c.) identificado posteriormente como um alcalóide indólico a N,N-dimetiltriptamina – DMT uma potente substância alucinógena ou psicodisléptica responsável pelo seu efeito.


No grupo de vegetais que possuem DMT – o núcleo indol e derivados da triptamina, como a Jurema (Mimosa) a Psychotria nas rubiáceas, é logicamente possível a combinação com derivados do harmano / harmina tal como foi identificada na Ayahuasca da América do Sul combinando-se a Chacrona (Psychotria viridis) com o Mariri (Banisteria caapi). Identifica-se também a Harmina no Maracujá (Passiflora), Syrian rue (Peganum harmala) usados tradicionalmente de modo independente.


Há quem afirme que alguma variedade de maracujá já foi utilizada em combinação com a jurema e mais recentemente combinou-se em rituais do Xucuru-kiriri jurema (Mimosa hostilis) com Peganum harmala.

No uso da jurema no nordeste do Brasil há referências de uso a diversas combinações (misturas) e modos de uso e preparação. Entrecascas e raízes da Jurema (Mimosa) extraídas com álcool, com água (por decocção ou maceração) com e sem fermentação.

Registra-se também na literatura a combinação com o Manacá (Brunfelsia uniflora Don)– Essa combinação parece ser a mais perigosa, tudo indica que foi utilizada na Manifestação Sebastianista (Pe) que resultou em psicose coletiva (Sangirardi Jr, o.c.). O elemento ativo do Manacá é de natureza psicoativa, anestésica, analgésica [12] e possivelmente simpáticolítica – atropínico ou anticolinérgico.


Combinada com Peganum harmala (Sirian rue) – Xucuru xocó (Pe) tem efeito semelhante a combinação com maracujá, pois ambas as plantas, como vimos possuem substancias semelhantes. A combinação com maracujá silvestre ou maracujá do mato, pode ser o “segredo perdido”  contudo a família do maracujá (Passifloraceae) possui 16 gêneros, com cerca de 600 espécies espalhadas por todo o mundo.

O vinho de jurema dos catimbó e umbandas também possuem receitas secretas algumas com álcool (vinho branco cachaça), mel, sangue de aves,  Alecrim e Alho (Grünewald o.c.)
Entre as formas de consumo na medicina indígena está a utilização simultânea com fumo (Nicotina tabacum, realizada por todas as tribos no Nordeste; com Cannabis sativa, (Swelinho Seda) possivelmente realizada por Fulniôs – Pe; com Poncho de Maracujá (Atikun - Pe) (Ott, Jonathan, 1997/98 o.c.) e com Cachaça em algumas tribos no Nordeste (Sangirardi Jr o.c.)

Efeito

O vinho de Jurema, preparado à base de variedades de jurema, principalmente a jurema-preta Mimosa hostilis, a jurema-embira ou vermelha (Mimosa ophthalmocentra) e a Jurema-branca (Mimosa verrucosa), é usado pelos remanescentes índios e caboclos do Brasil. Os efeitos do vinho são muito bem descritos por José de Alencar no romance Iracema. Além de conhecido pelo interior do Brasil, só é utilizado nas cidades em rituais de Candomblé por ocasião de passagem de ano, por exemplo.


Para entender o efeito da jurema não basta analisar a composição molecular e comparar com as denominadas drogas alucinógenas é necessário situar-se no contexto de expectativas e formas de uso da substancia. Apesar de parecer óbvia a suposição de que se drogas psicotrópicas afetam o sistema nervoso central do homem de modo semelhante a estas deve ser associado um número finito de símbolos, a diversidade cultural e individualidade humana é sempre surpreendente.

Assim recomenda-se e tem procedido os especialistas em tal classe de psicotrópicos o conhecimento do maior número possível de ritos e descrições individuais inclusive por esse método de pesquisa já se denomina essas substancias como enteógenos.
Apesar das semelhanças dos relatos de uso dessas substancias possuírem uma semelhança com as descrições de estados oníricos, das psicoses e de êxtase religioso e possessão divina (como o nome enteógeno sugere) não apenas por ser um efeito psicofarmacológico, onde o usuário não perde a consciência do ritual ou do uso da substancia, é possível reduzir seu efeito e uso.

A persistência do uso da jurema em rituais indígenas e religiões populares do Nordeste do Brasil (Catimbó), apesar de combatida pela colonização católica, com os rigores da inquisição e da polícia, por se só indica sua importância farmacêutica e simbólica para grupos que possuem uma forma específica de organização social entre a sociedade tribal e as comunidades religiosas. Contudo pode-se atribuir a essa perseguição a diversidade no modo de uso e mesmo da identificação da espécie.

Os índios do Nordeste apesar do processo de integração à sociedade nacional conservaram em algumas regiões organizações que sobrevivem como grupos religiosos e entidades civis tuteladas pelo estado identificadas em etnias sobreviventes e Missões indígenas. Pelo menos 5 etnias ainda utilizam a Jurema em seus rituais: Kiriris, Tuxás, Pankararé no Nordeste; Tupinambás de Olivença – Sul da Bahia; Atikun, Fulniôs, Xucuru-kiriri em Pernambuco e Kariris em Alagoas e os Xocós de Sergipe.

Fonte: Wikipédia

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pitombeira - Talisia esculenta


A árvore de T. esculenta, popularmente conhecida como pitombeira, apresenta porte lenhoso, com altura entre 6 e 12 m e tronco entre 30 e 40 cm de diâmetro. A espécie é encontrada no interior da mata densa primária e também em formações secundárias, mas sempre em várzeas aluviais e fundos de vales (LORENZI, 2000). 


Seus frutos são quase globosos, granulados, apiculados e pouco pubescentes, pulverulentos, amarelados e com resíduos do cálice, geralmente monospérmicos. 

As sementes são alongadas, com testa avermelhada depois de retiradas dos frutos e escura quando seca, envolvida por arilo róseo-esbranquiçado, comestível, cotilédones espessos, quase iguais, superpostos (GUARIM NETO et al., 2003). 
A espécie tem grande interesse ecológico e econômico, sendo os frutos e produtos derivados muitos utilizados na culinária regional.

A polpa é utilizada in natura e na fabricação de compotas, geléias e doces em massa, cujo sabor assemelha-se ao do damasco (Prunus armeniaca L.).





Apesar de sua importância sócio-econômica, T. esculenta é pouco estudada, não havendo referências sobre a emergência das plântulas desta espécie. Há a necessidade de se obter informações básicas sobre a germinação, o cultivo e a potencialidade das espécies nativas, visando sua utilização para os mais diversos fins (ARAÚJO NETO et al., 2003; ALVES et al., 2004; SMIDERLE; SOUSA, 2003). 









 

Fonte:
VIEIRA, Fábio de Almeida
Deptº de Ciências Florestais, Universidade Federal de Lavras/UFLA, Lavras-MG, Brasil
GUSMÃO, Eduardo
Deptº de Biologia Vegetal, Universidade Federal de Viçosa/UFV, Viçosa-MG, Brasil






 

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