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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Graviola - Anona muricato L.


Nomes populares: gravioleira e jaca-de-pobre.
Nome científico: Anona muricato L.
Família botânica: Annonaceae
Origem: América Central.

CARACTERÍSTICAS DA PLANTA

A graviola é uma fruta tropical de origem americana e é a mais perfumada e importante entre todas as frutas conhecidas como araticuns. Seu cultivo é comum em pomares domésticos de cidades e sítios das regiões norte e nordeste, onde é, seguramente, mais comercializada e consumida que em qualquer outro lugar do mundo. Tem-se como origem da gravioleira as terras baixas da América Tropical e vales peruanos; conhecida como guanábano (língua espanhola), soursop (lingua inglesa) e corossolier (língua francesa) é fruta tropical importante nos mercados da America Tropical sendo a Venezuela o maior produtor sul-americano. A sua importancia comercial no Brasil é pequena apesar da demanda crescente pela polpa do fruto no país, no Oriente Médio e na Europa (Alemanha e Espanha). No Nordeste brasileiro o município cearense de Trairi mantém plantios organizados dessa fruteira.

Árvore de até 6 m de altura com caule reto e copa reduzida formada por folhas largas. Flores grandes de coloração amarelo-pálida.

FRUTO

É o maior fruto da família, de forma ovóide, ou em forma de coração, com coloração verde, apresenta falsos espinhos carnosos curtos e moles. Polpa branca, doce, mas ligeiramente ácida. Possui muitas sementes escuras.
"Fruta bonita e grande, são como melões no tamanho e verdes. E por fora tem assinaladas umas escamas como a "pinha': E!rufa fria e para quando faz calor; e ainda que um homem coma uma graviola inteira, não lhe fará mal. A fruta e o seu manjar por dentro se parecem com natas ou com o manjar branco. Isso que se come, ou manjar, se desfaz logo na boca, como água, deixando um bom sabor."
- Fernández de Oviedo (século XVI) - citado por Clara Inés Olaya
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USO

Planta Alcaloides, como a anonina e a muricuna, são extraídos da casca do tronco, das folhas e das sementes; são destinados à produção de inseticidas.
Fruto -  A polpa é consumida ao natural, com açúcar ou compondo refrescos, sucos e sorvetes apesar de ser de difícil digestão (1,8% de celulose).
Prestando-se bem ao processamento a polpa é utilizada na indústria para produção de sucos concentrados, polpas congeladas, nectar, geleias, cremes, bebidas (Cuba), diuréticos e xaropes anti-escorbuticos.

COMPOSIÇÃO(100g)



Calorias
60kcal
Umidade
83.10g
Proteínas
1.00g
Fibra
1.10g
Cálcio
24.00mg
Fósforo
28.00mg
Ferro
0.50mg
Vitam. B1
0.07mg
Vitam. B2
0.05mg
Niacina
0.90mg
Vitam. C
26.00mg
pH
3.96
Brix
13.15%
Acidez
1.17%

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CULTIVO

Solo: planta tropical, não é exigente quanto ao solo. Prefere solo argiloso e seu desenvolvimento e mais favorável no Nordeste e Norte brasileiro, embora se reproduza em clima subtropical. 
Propagação: a propagação da gravioleira é feita através de processos assexuados - alporquia, estaquia, cultivo de tecidos e enxertia (garfagem - o comercial) - e processo sexual - via sementes. Para qualquer dos processos a planta matriz - fornecedora de ramos de tecidos, de gemas ou de sementes - deve ser vigorosa, precoce, sadia, e de boa produção. As sementes devem ser obtidas de frutos maduros e sadios e elas devem ser integras e vigorosas.

Colheita: gravioleiras provenientes de sementes iniciam a floração no 3º ou 4º ano pós-plantio e as enxertadas já no 1º ano de vida. A produção comercial aos 3 e 5 anos; ela permanece por 10 a 15 anos. Sugere-se que os frutos sejam colhidos logo que a coloração da casca passar do verde escuro para o verde-claro (perda do brilho da casca e polpa levemente mole se comprimindo o fruto com dedo). Após colheita o fruto é colocado em pratileiras em ambiente com 22ºC de temperatura e 40-50% de umidade relativa. Seis dias após o fruto estará comestível durando 2-3 dias. Tem sido registradas produções de 32 t. de frutos/há. (384 plantas de 6 anos - Havai), 10 t. /há (238 plantas de 8 anos) de gravioleiras.
Clima: requer temperatura média anual entre 25ºC a 28ºC (21-30ºC sem quedas abaixo de 12ºC), chuvas acima de 1.000 mm./ano bem distribuídos (100 mm./mês), com período seco na frutificação, umidade relativa do ar entre 75 e 80%. A região quente do semi-árido nordestino, com irrigação artificial, induz boa vegetação e produção à gravioleira.
Mudas: devem ser obtidas de produtores de mudas credenciados por organizações oficiais. Para pomares caseiros pode-se preparar mudas (via sementes) na propriedade rural.

Preparo das Mudas: vinte quatro horas antes do semeio, a semente é colocada em água fria para quebra de dormência. Sacos de polietileno com 35 cm de altura por 22 cm de largura e 0,2 mm de espessura, recebem 6 a 8 L de mistura formada de 2 partes de terra areno-argilosa e uma de esterco de curral bem curtido. Para cada m3 da mistura adicionar 200 g de calcário dolomítico, 200 g de cloreto de potássio e 250 g de superfosfato simples. A 2 cm de profundidade coloca-se 2 a 3 sementes por saco e irriga-se; entre 20 e 35 dias (até 60 dias) dá-se a germinação. Os sacos são dispostos em fileiras duplas distantes de 60 cm entre si e cobertos com sombrite ou folha de palmeira (50% de luz). Plantinhas com 5 a 10 cm de altura são desbastadas deixando-se a mais vigorosa. 4 a 5 meses pós semeio, muda com 30 a 40 cm de altura estará apta ao plantio definitivo. Para controle de pragas e doenças pode-se utilizar maeatiom 50 CE e oxicloreto de cobre 50 PM, em pulverizações de 10 em 10 ou de 15 em 15 dias. A partir do 3o mês permitir paulatinamente, a entrada de mais luz no viveiro. Manter solo no saco úmido, sem exagero.

INSTALAÇÃO DO POMAR

Preparo do solo: passa por derrubada, destoca, encoivaramento e queima (se área de mata); controle de cupins e formigas completam 3 meses antes do plantio efetuar aração (30 cm de profundidade) e uma a duas gradagens. Em caso de correção de solo, aplicar calcário antes da aração (metade da dose) e antes da 1o gradagem (outra metade).
Espaçamento/densidade:  espaçamento varia de 4 m X 4 m (625 plantas/há), a 8 m a 8 m(156 plantas/há). A variação deve-se do porte da planta, topografia do terreno, fertilidade, plantio consorciado ou não, definitivo ou temporário, condições climáticas... . Em terreno plano utiliza-se 6 m X 6 m (quadrado) , em área pouco acidentada 6 m X 6 m (triângulo); em solo fértil, rico em matéria orgânica 8 m X 8m e sob clima trópical úmido 6 m X 6 m ou 7 m X 7m .

Coveamento/ adubação básicacovas devem ter dimensões 60 cm X 60 cm e ser abertas 60 dias antes do plantio separando terra dos primeiros 20 cm. No fundo da cova coloca-se mistura de parte da terra separada com 20 L de esterco de curral curtido e, 200 g de calcário; enche-se a cova com outra metade da terra separada mais 600 g de superfosato triplo, 200 g de cloreto de potássio e 200 g de calcário dolomítico.
Plantio: deve ser feito em terrenos com altitude abaixo de 1.200 m, próximos a estradas, em áreas planas a levemente onduladas. No início da estação chuvosa efetua-se o plantio. Retira-se o fundo do saco, leva-se a muda à cova onde retira-se o resto do saco ao tempo em que se chega terra ao torrão comprimindo-a; a superfície do torrão deve ficar 2 cm acima do solo. Prepara-se uma bacia com 10 cm de altura a 30 cm do caule com 20 cm de palha seca. Irriga-se com 20 L de água e, em caso de ventos, tutora-se a muda (estaca enterrada ao lado que amarra a muda).
Consorciação: como cultura secundária pode-se consorciar-se à mangueira; como cultura principal, aceita leguminosas (feijão, amendoim, soja) ou milho, abobora, batatinha.

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TRATOS CULTURAIS

Manter cultura livre de ervas invasoras roçando as ruas de plantio e capinando em coroamento (projeção da copa da planta.
Poda de formação: cortar broto terminal a 60 cm do solo e selecionar 3-4 brotos bem distribuídos nos últimos 20 cm de altura do caule para formação da copa (não permitir altura acima de 2,2 m).
Poda de limpeza: eliminar ramos indesejáveis, ramos secos, doentes ou praguejados.
Adubação em cobertura: No início das chuvas aplica-se 15 litros de esterco de curral. A cada 3 meses aplicar 1 Kg da fórmula 10-13-15/planta, incorporando a 10 cm de profundidade numa área com limites 1/3 para dentro a 1/3 para fora do limite da copa.
Irrigação: Crê-se que a necessidade de água/dia da gravioleira está entre 3,5 e 4,0 mm

PRAGAS




Broca-do-Tonco: Cratosomus Sp. Coleoptera, Curculionidae - O inseto adulto é um besouro convexo de cor quase preta; a forma jovem, lagarta (broca), é branca, com cabeça escura, sem patas. A femêa ovipõe em orifício que faz na casca; a lagarta, saindo do ovo, penetra na madeira abre galeria no tronco e expele dejeções pelo orifício. O sinal do ataque é a presença de excrementos e exsudação pegajosa no tronco.
Controle: Injeção via orifício, de inseticida DDVP (10 ml. /10 litros de água).
Broca-do-fruto: Cerconata anonella Lepidoptera, Stenomidae - O adulto é mariposa branca-acinzentada com 25 mm. de envergadura que põe ovos sobre flores e pequenos frutos. O jovem (lagarta), cor de rosa ou verde-pardo, roe a casca do fruto penetrando para seu centro, destroe a polpa e aloja-se na semente. Frutos atacados apodrecem e caem.
Controle: Queimar frutos atacados (planta e chão), pulverizar frutos com inseticida triclorfom 50 SC (Dipterex a 0,2%) ou fentiom 50 CE (Lebaycia a 0,15%) a cada 10 dias. Ainda usa-se ensacamento do fruto com saco de papel parafinado.
Com outras pragas cita-se vespa-da-semente (Bephrateloides), moscas-das-frutas (Ceratitis, Anastrepha), lagarta-das-flores (Thecla) e tripes-do-fruto (Heliothrips) que podem ser controlados com paratiom, carbaryl, malatiom e fentiom.


DOENÇAS



Em Viveiro: Tombamento de Plantinha - (fungos Rhizoctonia, Fusarium) - Agentes atacam colo e raízes das plantinhas tombando-as.
Controle: preventivamente, tratando a terra para enchimento dos sacos com brometo de metila. Como tratamento pós germinação, pulverizar colo das plantinhas com benomyl 50 PM (Benlate a 0,1%).
Em Campo: antracnose - fungo Colletotrichum gloeosporioides Penz. - Fungo ataca ramos novos, flores e frutos pequenos provocando sua queda (umidade relativa e temperatura altas).
Controle: oxicloreto de cobre 50 PM (200 g. / 100 l. água) ou benomyl 50 PM (150 g. / 100 l. água) em pulverizações intercaladas de 10 em 10 dias.
Podridão Parda - fungo Rhizophus stolonifer Sac. - Fungo ataca flores e frutos, - na colheita e pós-colheita, penetrando através do penduculo causando podridão da polpa seguindo-se a mumificação do fruto.
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Fonte:
www.bibvirt.futuro.usp.br
www.camta.com.br
www.seagri.ba.gov.br


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Ata - Annona squamosa L.


Nomes populares: Anona, araticum, ata, cabeça-de-nego, condessa, coração-de-boi, pinha; sugar apple, custard apple e sweetsop (inglês); pomme cannelle (francês), annona (italiano); anona e chirimoya verrugosa (espanhol); gandhagatra e shubba (sánscrito); ramphal, sharifah e sitaphal (hindú).

Introdução


A ata pertence à família Annonaceae, gênero Annona, que inclui em torno de 120 gêneros e por volta de 2000 espécies. A espécie Annona squamosa produz frutos delicados, considerados dos melhores do gênero. A ata é também conhecida como pinha e fruta-do-conde no Brasil, anona blanca, sweetsop, anon, anona, rinon, atta del Brasil, srikaya, atis, etc.. 
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De acordo com Braga (1960), a ateira é uma planta americana, talvez originária das Antilhas e regiões circunvizinhas. As Anonáceas são fruteiras tipicamente de clima tropical, apresentam boas perspectivas econômicas para a região Nordeste do Brasil, por serem culturas altamente adaptadas às condições locais e produzirem frutos a partir do mês de janeiro, suprindo parte da capacidade ociosa da indústria de suco de caju. 

Apesar de não se dispor de dados estatísticos, é notória a demanda crescente, tanto no mercado interno, como no externo pelos frutos de Annona squamosa L. Esse incremento na procura motivou os fruticultores e empresários, e tem forçado a pesquisa a desenvolver métodos para que o produtor possa acompanhá-la, tanto na qualidade como na quantidade de frutos ofertados. O interesse por parte do consumidor e da indústria de polpa, já justifica a inclusão da pinha no rol das frutas tropicais brasileiras de excelente valor comercial (Alves et al., 1998).

Segundo dados do IBGE (2000), em 1996 o Nordeste participou com 87,27% da produção brasileira, dos quais 18% foram de Pernambuco, Estado que apresenta grande potencial para o cultivo de pinha sob irrigação. 



Características


Os dados relativos a caracterização da polpa da pinha madura, realizada na Embrapa Agroindústria Tropical. Segundo dados apresentados por Leal (1990), o peso da ata varia entre 210 e 265g, com as sementes representando entre 31 e 41%, a casca entre 23 e 40%, e a polpa entre 28 e 37%. O rendimento de polpa encontrado neste trabalho pode ser considerado mediano. Os frutos, considerando-se o comprimento e o diâmetro, apresentaram formato arredondado.

conteúdo de sólidos solúveis totais, muito elevado quando comparado com a maioria das frutas, e a baixa acidez total titulável 0,34% (ácido cítrico), indicam uma elevada relação SST/ATT, o que significa a forte predominância do sabor doce. 


Em trabalhos citados por Gomes (1987) são relatados teores semelhantes de sólidos solúveis - 24,82%, e acidez ainda mais baixa - 0,12%. Com relação ao conteúdo de açúcares solúveis totais, Leal (1990) observa que, após a água, o componente mais abundante na polpa de pinha são os carboidratos, que constituem entre 18,2 e 26,2%. Gomes (1987) cita um valor de 18,15% para os açúcares, sendo bem próximo ao encontrado aqui (19,23%). Deve-se destacar que aproximadamente 83% dos açúcares solúveis totais são constituídos por açúcares redutores. 

As análises bioquímicas revelaram uma elevada atividade das enzimas peroxidase e pectinametilesterase, associadas respectivamente ao escurecimento e ao amaciamento da polpa desta fruta. Apesar da excelente aceitação da ata para consumo fresco, no final da maturação os frutos ainda têm teores de amido (0,87%) e de pectina total (0,66%) relativamente altos, o que pode trazer algumas dificuldades durante o processamento e a estabilização de sucos.

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Utilização


As frutas são geralmente consumidas in natura, porém podem ser processadas na forma de sucos, doces e sorvetes. Pode-se fazer uma excelente bebida quando associase a polpa de pinha com leite. De acordo com Leal (1990) a polpa é usada também para sorvetes, ou na fabricação de bebidas fermentadas. O chá feito das folhas serve como laxante, e há registro na literatura do uso das sementes com propriedades inseticidas. 

Cultivo


 Plantio: o ano todo, dependendo da possibilidade de irrigação e da região; prefira os meses chuvosos.

• O solo para o cultivo da fruta-do-conde deve ser de textura leve, bem drenado, farto em matéria orgânica, profundo e um pouco ácido. No mínimo 30 dias antes do plantio, abra covas de 60 x 60 x 60 centímetros, com espaçamentos que podem variar de 4 x 2 metros (pomares com alto grau de tecnificação) a 7 x 5 metros (plantios menos tecnificados). Adube com 20 litros de esterco de curral curtido, 600 gramas de superfosfato triplo, 200 gramas de cloreto de potássio e 200 gramas de calcário dolomítico. Acrescente ainda dez gramas de bórax e 20 gramas de sulfato de zinco, caso esses micronutrientes sejam insuficientes no solo.

 Clima: quente; não tolera geadas nem temperaturas baixas

 Para plantar, dê preferência a mudas enxertadas adquiridas de viveiristas credenciados, que tenham matrizes de seleções superiores. Pomares formados por sementes, além de serem heterogêneos e demorarem mais para produzir, são mais vulneráveis ao ataque de pragas e doenças de raízes e de colo. Durante o crescimento das árvores, faça podas e também uma suplementação de nutrientes (NPK).

• O desenvolvimento da planta vai bem sob temperaturas elevadas (mínimo de dez a 20 graus e máxima de 22 a 28 graus), com precipitação perto de mil milímetros ao ano. Para garantir a produção, evite regiões com excesso de chuvas no período de florescimento e maturação dos frutos. Também geadas e grandes oscilações do clima são prejudiciais à cultura. A árvore é alvo de invasores como brocas, ácaros e cochonilhas.


• Colheita: duração de 90 a 180 dias, de acordo com a região e condições climáticas.

Uso medicinal


Rica em vitamina C e do complexo B, proteínas, carboidratos, cálcio, fósforo e ferro; na medicina popular, as folhas são usadas para o tratamento de convulsões e colites, e os frutos, para debilidade geral.

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Fontes


ALVES, R.E.; FILGUEIRAS, H.A.C.; MOSCA, J.L. Colheita e pós-colheita de Anonáceas. In: SÃO JOSÉ, A.R.; SOUZA, I.V.B.; MORAIS, O.M.M.; REBOUÇAS, T.N.H. Anonáceas - Produção e mercado (Pinha, graviola, atemóia e cherimólia). Vitória da Conquista: DFZ/UESB, 1997. p.240-256.

BRAGA, R. Plantas do Nordeste, especialmente do Ceará. 2a ed. Fortaleza: Imprensa Oficial. 274p. 1960.

GOMES, P. Fruticultura Brasileira. 11ed. São Paulo: Nobel, 1987. 446p.

IBGE. Levantamento sistemático da produção agrícola. http://www.ibge.gov.br.

LEAL, F. Sugar apple. In: NAGY, S., SHAW, P. E., WARDOWSKI, W.F. Fruits of tropical and subtropical origin. Composition, properties and uses. Lake Alfred: FSS, 1990. p. 149-158.



www.embrapa.com.br










terça-feira, 10 de abril de 2012

Açaí - Euterpe oleracea.



O açaí, também chamado uaçaí, açaí-branco, açaí-do-pará, açaizeiro, coqueiro-açaí, iuçara, juçara, palmiteiro, palmito, piná e tucaniei, é uma palmeira que produz um fruto bacáceo de cor roxa muito utilizado na confecção de refrescos.

Etimologia

"Açaí" e "uaçaí" são oriundos do tupi yasa'i, "fruta que chora", numa alusão ao sumo desprendido pelo seu fruto. "Juçara" provém do tupi yu'sara. "Palmiteiro" e "palmito" são alusões ao seu uso na alimentação humana sob a forma de palmito. "Açaí-do-pará" é uma referência ao estado do Pará, no Brasil. Atualmente, o Pará é o estado que lidera a produção do fruto, com quase 90% do mercado.

Descrição

Espécie monocotiledônea nativa da várzea da região amazônica, especificamente dos seguintes países: Venezuela, Colômbia, Equador, Guianas, e Brasil (estados do Amazonas, Amapá, Pará, Maranhão, Rondônia, Acre e Tocantins), assim como em Trinidad e Tobago e nas bacías do Pacífico na Colômbia e no Equador. A Festa da Juçara do Maranhão refere-se ao açaí.

O açaí é um alimento muito importante na dieta dos nortistas do Brasil, onde seu consumo remonta aos tempos pré-colombianos. Hoje em dia, é cultivado não só na Região Amazônica, mas em diversos outros estados brasileiros, sendo introduzido no resto do mercado nacional durante os anos oitenta e noventa. No Brasil, o estado do Pará é o maior produtor mundial da fruta, sendo responsável por mais de 85% da produção mundial. O açaí considerado, por muitos, uma iguaria exótica, sendo apreciada em várias regiões do Brasil e do mundo.
O açaizeiro é semelhante à palmeira-juçara (Euterpe edulis Mart.) da Mata Atlântica, diferenciando-se porque cada planta de juçara tem somente um caule mas os açaís crescem em touceiras de 4 a 8 estipes (troncos de palmeira) cada um de 12 m de altura e 14 cm de diâmetro ponto-médio e podendo chegar até uns 20 metros.

Usos

O açaí é muito consumido como suco ou pirão e cujo gomo terminal constitui o palmito. Assim, pode ser consumido na forma de bebidas funcionais, doces, geleias e sorvetes. O fruto é colhido por trabalhadores que sobem nas palmeiras com auxílio de um trançado de folhas amarrado aos pés - a peconha.

Para ser consumido, o açaí deve ser primeiramente despolpado em máquina própria ou amassado manualmente (depois de ficar de molho na água), para que a polpa se solte, e misturada com água, se transforme em um suco grosso também conhecido como vinho do açaí.

Na Amazônia, o açaí é consumido tradicionalmente junto com farinha de mandioca ou tapioca geralmente gelado. Há quem prefira fazer um pirão com farinha e comer junto com peixe assado ou camarão, ou mesmo os que preferem o suco com açúcar.

Além do uso de seus frutos como alimento ou bebida, o açaizeiro tem outros usos comerciais. As folhas podem ser feitas em chapéus, esteiras, cestos, vassouras de palha e telhado para casas, e madeira do tronco, resistentes a pragas, para construção civil. Os troncos da árvore podem ser processados para produzir minerais. O palmito é amplamente explorado como uma iguaria. As sementes limpas são muito utilizadas para o artesanato.
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Nas demais regiões do Brasil, o açaí é preparado da polpa congelada batida com xarope de guaraná, gerando uma pasta parecida com um sorvete, ocasionalmente adicionando frutas e cereais. Conhecido como açaí na tigela, é um alimento muito apreciado por frequentadores de academias e desportistas, já que as propriedades estimulantes presentes no fruto, são semelhantes às encontradas no café ou em bebidas energéticas. O açaí também ajuda na eliminação de resíduos do corpo, garantindo saúde para seus consumidores. 

Informação Nutricional

Valor nutricional por 100g (cem gramas) de polpa:

Calorias: 69 K/cal (em média) 
Proteínas: 3,8g 
Lipídios: 12,2g 
Fibra: 16,90g 
Cálcio: 118 mg 
Ferro: 11 mg 
Fósforo: 0,5 mg 
Vitamina B1: 11,80 
Vitamina B2: 0,36 
Vitamina C: 0,01 
Apesar do alto teor de gordura do açaí, trata-se em grande parte de gorduras monoinsaturadas (60%) e poliinsaturadas (13%),[9] também presentes no abacate. Estas gorduras são benéficas e auxiliam na redução do colesterol ruim (LDL) e melhoram o HDL, contribuindo na prevenção de doenças cardiovasculares como o infarto do coração.

Importância comercial

O açaí é de grande importância para a sua região de cultivo em virtude de sua utilização constante por grande parte da população, principalmente os ribeirinhos. Nas condições atuais de produção e comercialização, a obtenção de dados exatos é quase impossível, devido à falta de controle nas vendas, bem como à inexistência de uma produção racionalizada, uma vez que a matéria-prima consumida se apoia pura e simplesmente no extrativismo e comercialização direta. No Pará, principal produtor, o consumo de açaí, em litros, chega a ser o dobro do consumo de leite.

Neste sentido, constitui-se num item de alimentação fundamental para muitas pessoas. Entretanto, a exportação em larga escala tem acarretado uma diminuição significativa na qualidade do suco consumido pela população de baixa renda que para consumir o fruto com uma qualidade razoável necessita pagar mais caro. O que torna-se inviável do ponto de vista da renda financeira que possuem. 


Origem Popular

De acordo com o folclore brasileiro existia uma tribo indígena muito numerosa. Como os alimentos estavam escassos, era difícil conseguir comida para toda a tribo. Então o cacique Itaki tomou uma decisão muito cruel. Resolveu que, a partir daquele dia, todas as crianças recém nascidas seriam sacrificadas para evitar o aumento populacional da tribo.
Até que um dia a filha do cacique, chamada Iaçá, deu à luz uma menina que também teve de ser sacrificada. Iaçá ficou desesperada, chorava todas as noites de saudades. Ficando vários dias enclausurada em sua oca e pediu a Tupã que mostrasse ao seu pai outra maneira de ajudar seu povo, sem o sacrifício das crianças.
Certa noite de lua, Iaçá ouviu um choro de criança. Aproximou-se da porta de sua oca e viu sua filhinha sorridente, ao pé de uma grande palmeira. Lançou-se em direção à filha, abraçando-a. Porém misteriosamente sua filha desapareceu.
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Iaçá, inconsolável, chorou muito até morrer. No dia seguinte, seu corpo foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira. Porém, no rosto, trazia, ainda, um sorriso de felicidade. Seus olhos estavam em direção ao alto da palmeira, que se encontrava carregada de frutinhos escuros.
Itaki, então, mandou que apanhassem os frutos, obtendo um vinho avermelhado que batizou de açaí, em homenagem a sua filha (Iaçá invertido). Alimentou seu povo e, a partir deste dia, suspendeu a ordem de sacrificar as crianças


Fonte:
http://naeco.com.br
www.biomabrasil.org




 

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