Pages

domingo, 29 de julho de 2012

Jenipapo - Genipa americana L.


Classificação Botânica:



Nome Científico: Genipa americana L.
Família: Rubiaceae
Origem e dispersão: O jenipapeiro é originário da América Tropical e Índia Ocidental. Está distribuído por vários países e é comum no Nordeste brasileiro. É encontrado desde o Norte e Nordeste até o Estado de São Paulo.


Características:



A árvore é alta, caule reto, alcançado até 15 m de altura. O fruto é uma baga ovóide de 8 a 12 cm de comprimento e 6 a 9 cm de diâmetro, cinzento ou marrom, com polpa marrom clara e numerosas sementes pardas e achatadas com 6 a 12 mm de comprimento e peso até 550 g. Frutifica de novembro a fevereiro.

Folhas:
Suas folhas são verde escuro, oblongas e agudas, possuem superfícies e margens lisas e se apresentam agrupadas no extremo dos ramos.

Flores:
Flores grandes, vistosas, hermafroditas amarelo-ouro contendo 5 pétalas, brancas logo que se abrem passando a amareladas, levemente aromáticas, reunidas em inflorescência.

Fruto:
Fruto tipo baga, ovoíde, com 5-12cm de diâmetro. De cor escura e casca rugosa e murcha, com polpa marrom clara, doce e ácida, suculenta, de aroma forte que envolve numerosas sementes no centro.

Sementes:
As sementes são pardas, chatas e polidas. Ácida para ser consumida naturalmente, é muito utilizada como matéria-prima alimentícia de doce, licor, xarope, vinho e quinino (sulfato de quinina - usado como antimalárico e antipirético). 

Clima e Solo:


O jenipapeiro é encontrado em regiões de clima tropical úmido, em solos profundos e bem drenados.

Propagação:


A propagação pode ser feita por sementes e enxertia.

Uso:


A polpa do jenipapo é sucosa, doce, parda, adocicada e acre, sendo utilizada na confecção de licores, refresco, vinho, refrigerantes, doces, etc. A casca é utilizada como remédio diurético, na cura de úlceras e anemia. É rica em ferro e riboflavina.

Na medicina caseira, o jenipapo é utilizado como fortificante e estimulante do apetite. É um fruto comestível ao natural e empregado no preparo de compota, doce cristalizado, refresco, suco, polpa, xarope, licor, vinho, álcool, vinagre e aguardente. A jenipapada é um doce feito de jenipapo cortado em pedacinhos e misturado ao açúcar, sem ir ao fogo.

O Jenipapo possui um elevado conteúdo de ferro. Por isso, é aconselhável um grande uso dessa rubiácea. Também possui cálcio, hidratos de carbono, calorias, gorduras, água, e às vitaminas B1, B2, B5 e C. Acredita-se no Norte e no Nordeste do Brasil, que o suco de jenipapo e adequado para combater a anemia decorrente do impaludismo ou das verminoses. Segundo autoridades científicas, esse fruto faz bem aos asmáticos. Como diurético, o suco do fruto é aconselhável nos casos de hidropisia.
O suco do Jenipapo também é usado para controle de plaquetas do sangue em pacientes que fazem quimioterapia e/ou radfioterapia, mostrando ser eficaz. Muitos tomam duas ou mais vezes ao dia.

Quando verde, de cor cinzenta e pele áspera, fornece um suco de cor azulada muito utilizado como corante para tintura em tecidos, artefatos de cerâmica e tatuagem.
Para extrair o corante do jenipapo, corte o fruto ao meio, retire as sementes, esprema a polpa como se fosse um limão e coe. O líquido no princípio transparente, ao contato com o ar, oxida-se e ganha uma coloração entre azul-escura e preta. A tinta provém do sumo do fruto verde - a substância corante, chamada genipina, perde o efeito corante com o amadurecimento do fruto. Assim, quanto mais verde o jenipapo, mais forte a cor vai ficar. Um fruto médio rende, em média, meio copo de corante que logo depois da extração é levemente esverdeado, mas reage em contato com o ar e se torna azul ou verde. Aplicada sobre o papel, a cor azul perde intensidade e adquire tons esverdeados ou marrons. O corante do jenipapo tem a consistência do nanquim e, para ficar mais concentrado, coloque-o em um vidro sem tampa, o que facilita a evaporação. 
No corpo, em contato com a pele, pode deixar manchas, mas não se desespere, a mancha some e desaparece depois de uma semana ou mais, espontaneamente.
A casca, rica em tanino, é usada em curtumes para tratar couros, além de ser um excelente diurético contra úlceras, anemias e outras doenças.

A madeira do jenipapeiro de cor branca marfim é mole, elástica, flexível, racha com facilidade, recebe bem o verniz e tem longa duração. É empregada em construção naval e em construção civil, em marcenaria de luxo, em tanoaria, em fundições (moldagem de peças), em xilogravura, entre outros, e para a fabricação de cabos de ferramentas.


Curiosidades:


O nome jenipapo (Genipa americana L.) vem do Tupi-guarani, de nhandipab ou jandipap, que significa fruto que serve para pintar. A casca do tronco e os frutos verdes têm sido usados tradicionalmente pelos índios, quando se pintam de negro, e empregada na tintura de tecidos e utensílios domésticos.

O suposto poder afrodisíaco do jenipapo também foi explorado na novela “O bem amado”, onde o personagem Odorico Paraguaçu agraciava às irmãs Cajazeiras. Segundo lendas do folclore brasileiro, "para as doenças do baço, nada como colocar o pé no tronco do jenipapo.
Corte a casca do tamanho do pé da pessoa doente. A casca retirada do jenipapeiro deve ser colocada no fumeiro da cozinha. A casca vai engelhando e o baço também". E há os que temem a proximidade do jenipapeiro, acreditando que a árvore guarda fantasmas que impedem o crescimento do gado.
Lendas à parte, o jenipapeiro é uma planta rústica, resistente à seca e de fácil adaptação a vários tipos de climas e solos, o que favorece sua larga distribuição geográfica. Parece ser originário da região noroeste da América do Sul e encontra-se distribuído pelo continente americano, desde o estado da Flórida na América do Norte até a Argentina na América do Sul.

As festas juninas da região Nordeste não dispensam o delicioso sabor do bom e velho licor, especialmente o licor de jenipapo.
No século XIX, este licor foi considerado como bebida dos nobres na Europa.
As festas de Natal e de Ano Novo celebradas com champagne e vinho também podem ser incrementadas com este toque de aroma tropical, que hoje já é exportado para vários países.

Segundo sreportagem de Caio Coutinho da Faculdade Integrada da Bahia, a técnica de produção de licor foi trazida pelo clero, cuja tradição ainda é mantida em algumas instituições religiosas, como o Convento do Desterro e o Instituto Bom Pastor de Salvador, como fonte de renda complementar.
Nestas instituições, a produção bastante artesanal e lenta é obtida pela infusão da fruta em álcool por período de aproximadamente um ano, seguido de seis lentos processos de filtração em algodão e engarrafamento.
Mais de 50 compostos voláteis foram isolados da polpa de jenipapo, sendo 27 destes compostos (principalmente álcoois e ésteres) importantes para o sabor ácido e as notas frutais que caracterizam o aroma especial do jenipapo (Alves, 2006).
Deliciosas receitas de licor e de outros produtos do jenipapo também podem ser encontradas nos Livros publicados e comercializados pela Embrapa: “Frutas do Cerrado” e “Cerrados: aproveitamento alimentar”.
No “Seminário Plantas do Futuro - região Centro-Oeste”, realizado pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e patrocinado pelo Ministério do Meio Ambiente, realizado em Brasília, DF, em 2005, destacou-se o potencial do jenipapo e de outras 15 fruteiras nativas que poderão receber incentivos para pesquisas e fomento para a produção sustentada na região Centro-Oeste durante os próximos anos.

Fontes:

www.amazonsat.com.br
www.todafruta.com.br
www.arara.fr

terça-feira, 24 de julho de 2012

Urucu - Bixa orellana


Classificação Botânica:


Nome Científico: Bixa orellana
Sinonímia: Bixa acuminata, Bixa americana, Bixa odorata, Bixa platycarpa, Bixa tinctoria, Bixa katangensis, Bixa purpurea, Bixa upatensis, Bixa oviedi, Bixa urucurana, Orellana americana, Orellana orellana, Bixa arborea.
Nome Popular: Urucum, urucuzeiro, açafrão, açafrão da terra, açafroa, achicote, achiote, achote, bija, bixa, colorau, orucú, tintória, urucú, urucú-da-mata, urucú-bravo, urucuuba, uru-uva.
Família: Bixaceae
Divisão: Angiospermae
Origem: América Tropical
Ciclo de Vida: Perene

Etimologia:


"Urucu" e "urucum" originam-se do tupi transliterado uru'ku, que significa "vermelho", numa referência à cor de seus frutos e sementes.

Em cultura SÓLIDA lusófona, chama-se ainda açafroa e também colorau (forma imprópria, a designar especificamente o condimento, também o corante, preparados à base de sementes do urucu trituradas ao pó, puras e/ou misturadas a outras).
Noutras culturas, chama-se: orleansstrauch (alemão), achiote ou onoto (espanhol), rocou (francês) e achiote ou annatto (inglês).


Características:


Urucu, ou urucum, é o fruto do urucuzeiro ou urucueiro (Bixa orellana), arvoreta da família das bixáceas, nativa na América tropical, que chega a atingir altura de até seis metros. Apresenta grandes folhas de cor verde-claro e flores rosadas com muitos estames.
Seus frutos são cápsulas armadas por espinhos maleáveis, que se tornam vermelhas quando ficam maduras. Então se abrem e revelam pequenas sementes dispostas em série, de trinta a cinquenta por fruto, envoltas em arilo também vermelho.

Uso:


O urucu é utilizado tradicionalmente pelos índios brasileiros (juntamente com o jenipapo, de coloração preta) e peruanos, como fonte de matéria prima para tinturas vermelhas, usadas para os mais diversos fins, entre eles, protetor da pele contra o sol e contra picadas de insetos; há também o simbolismo de agradecimento aos deuses pelas colheitas, pesca ou saúde do povo. No Brasil, a tintura de urucu em pó é conhecida como colorau e usada na culinária para realçar a cor dos alimentos. 
Esta espécie vegetal ainda é cultivada por suas belas flores e frutos atrativos. Ao passar urucu na pele, ele penetra nos poros e, ao longo do tempo, a pele passa a ter uma tonalidade avermelhada constante e definitiva. Isso acontece pois os poros se entopem de urucu e não conseguem mais eliminá-lo.
O urucu foi levado para Europa desde o século XVII, é mundialmente empregado como corante de diversos fins, principalmente na indústria alimentícia. Com o banimento do uso de corantes alimentícios artificiais na União Européia, por prováveis efeitos cancerígenos, por exemplo a anilina, é intensamente importado da América tropical e África, além de quase não ter sabor.

Na culinária: como condimento e também colorante, emprega-se sob a forma de pó obtido por trituração das sementes, usualmente misturadas a certo teor de outros grãos também triturados, devido ao arilo que envolve as sementes, que fornece matéria corante vermelha característica, como na casca dos queijos: leyden, queijo-do-reino e outros. É apreciado pela quase ausência de sabor e por não apresentar os efeitos prejudiciais dos corantes artificiais;
Na cosmética: empregam-no os ameríndios tropicais no preparo de tinturas para pintar o corpo, com a finalidade de proteção contra o rigor do sol (confere proteção contra radiação ultravioleta);
Na medicinal:
Indicações: Problemas respiratórios, cardiovasculares e digestivos, hemorróidas, desinfecção de ferimentos e queimaduras na pele, febre e inflamação em geral.
Propriedades: Antibiótica, hemostática, antiinflamatória, antioxidante, antipirética, cardiotônica, cicatrizante, depurativa, digestiva e expectorante.
Partes usadas: Frutos, sementes e raízes.

Composição Química:


As sementes do urucu contêm celulose (40 a 45%), açúcares (3,5 a 5,2%), óleo essencial (0,3% a 0,9%), óleo fixo (3%), pigmentos (4,5 a 5,5%), proteínas (13 a 16%), alfa e beta-carotenos e outros constituintes.
Possuem, também, dois tipos de pigmentos:
A bixina, de cor vermelha e solúvel em óleo;
A orelhena, de cor amarela e solúvel em água.
Para informação nutricional, 100 g de semente de urucu contêm:
    • Cálcio    7,00 mg
    • Ferro    0,80 mg
    • Fósforo   10,00 mg
    • Vitamina A   15,00 µg
    • Vitamina B2    0,05 mg
    • Vitamina B3    0,03 mg
    • Vitamina C     2,00 mg


Cultivo:


Devem ser cultivadas sob sol pleno, em solo fértil, bem drenado, e enriquecido com matéria orgânica. Árvore tipicamente tropical, não se adapta a países de clima temperado. Não tolera frio ou geadas. Multiplica-se por sementes e por estaquia.

Receitas:


Colorau:
Aqueça numa frigideira, em fogo baixo, 1 colher (sopa) de óleo de soja ou girassol com 250 g de sementes maduras de urucum, mexendo sempre. Assim que tiver quente (nunca fumegante), passe para uma tigela ou almofariz, junte 250 g de fubá bem fino (ou farinha de mandioca bem fina) e vá amassando (esfregando) com mão de pilão até o fubá ficar bem vermelho e as sementinhas já desprovidas da camada vermelha. Passe por uma peneira fina e conserve em vidro escuro bem fechado. No frango, só adicione o colorau quando já estiver bem fritinho, para não embolar (lembre-se que tem fubá).
Óleo de Urucu:
Ingredientes:
- 1 xícara de óleo de milho ou girassol
- 1 colher de sopa de urucum em grão.
Modo de fazer:
Lave as sementes de urucum, e deixe de molho em água, por 1/2 hora.
Escorra bem. Enxugue ligeiramente com papel toalha, as sementes devem ficar úmidas, porém sem gotas de água, para não espirrar. Aqueça o óleo, juntamente com 1/2 dúzia de sementes de urucum. Quando essas sementes começarem a soltar tinta, coloque o restante do urucum, e mexa bem. Quando o óleo começar a ferver, apague o fogo e abafe.
Cuidado, as sementes não podem começar a escurecer. Se notar que estão escurecendo, apague o fogo imediatamente. Quando esfriar, coe o óleo e descarte as sementes.
Esse óleo de urucum é usado para fazer a moqueca capixaba, e é de uma bonita cor avermelhada. Experimente também para fazer sua farofa. Fica igual à dos restaurantes, bem amarelinha. Conserve esse óleo em vidros bem tapados, até ser usado.
Dica: CUIDADO. As sementes secas, colocadas no óleo quente, estouram igual pipoca

Fontes:


http://www.botanicalgarden.ubc.ca/potd/2009/11/bixa_orellana.php
http://pt.wikipedia.org
http://natural.enternauta.com.br/


quinta-feira, 12 de julho de 2012

Pau-brasil - Caesalpinia echinata

Meu filho, Ayslan Costa, de 8 anos, leu que o nome do nosso país deriva do nome de uma árvore, o Pau-brasil. E assim ele passou a me fazer várias perguntas sobre esta planta. Então para tentar responder seus questionamentos e principalmente para incentivá-lo a ler, a postagem desta semana é sobre o Pau-brasil.

Nome Científico: Caesalpinia echinata
Sinonímia: Guilandina echinata
Família: Fabaceae 
Divisão: Angiospermae
Origem: Brasil
Ciclo de Vida: Perene

Porque ao lado do nome Pau-brasil vem um nome esquisito?

Talvez você não saiba, mas as espécies são identificadas sempre por dois nomes. Um (às vezes, vários) é aquele como nós popularmente a chamamos e o outro é como os cientistas, preocupados com a classificação rigorosa de suas espécies, a denominam e registram. Com o pau-brasil não poderia ser diferente. Seu nome científico é Caesalpinia echinata Lam.

Mas esse nome esquisito parece um palavrão!

Nada disso! Acontece que, como em todo nome científico, há neste batismo algumas regras bem simples que, uma vez conhecidas, tiram das palavras seu ar arrogante e indecifrável.

Quais são essas regras?

Primeiramente, as palavras estão escritas em latim que, apesar de ser uma língua morta (ninguém mais fala latim hoje em dia), ainda batiza diversas descobertas da ciência. Vamos desvendar o primeiro mistério: o primeiro nome de uma espécie sempre diz respeito a seu gênero, aqui no caso, "Caesalpinia" - que na verdade é uma homenagem a um grande médico e botânico do século XVI - Andrea Cesalpino. Próximo enigma: o segundo nome se refere à sua espécie. A palavra "echinata" é a forma latina do adjetivo "equinado", que nada mais quer dizer do que "vegetal cheio de espinhos". Um bom exemplo de um sujeito prá lá de equinado é o ouriço-do-mar, não é verdade? E, por fim, a terceira palavra que dá nome a uma árvore é a abreviação do nome da pessoa que a registrou. "Lam." é a abreviação de Lamarck, o botânico que, em 1789, descreveu o pau-brasil, conforme as normas da nomenclatura botânica. Viu como foi fácil desvendar o significado do nome científico! 

Por quais outros nomes o Pau-brasil é conhecido?

Agora, vamos aos nomes populares com os quais os indígenas, os europeus e, nós brasileiros, chamávamos e ainda chamamos, nossa amiga Caesalpinia: ibirapitanga, ibirapiranga, ibirapita, muirapiranga, orabutã, brasileto, pau-rosado e pau-de-pernambuco. Ufa! Até que foi bom ter prevalecido a forma "pau-brasil" para batizar nosso país, pois você já pensou se a outrora Terra de Santa Cruz adotasse, por exemplo, o nome Ibirapitanga. A esta altura seríamos todos "ibirapitanguenses". Nada contra a palavra em si, mas que "brasileiro" é muito mais fácil de pronunciar, ah, isso é verdade!

E como é essa árvore?

Árvore símbolo do Brasil, o pau-brasil é uma leguminosa nativa da Mata Atlântica. Ela apresenta tronco de casca acinzentada e recoberta de grossos acúleos, que descama em placas irregulares deixando ver a casca interna de coloração avermelhada.
As folhas são bipinadas, com 5 a 6 pares de folíolos e 6 a 10 pares de folíolos secundários.
As inflorescências terminais, são compostas de numerosas flores com quatro pétalas amarelas e uma central modificada, de coloração vermelha. Após a floração, que ocorre na primavera, surgem os frutos do tipo vagem, deiscentes, recobertos por numerosos acúleos e carregam de 1 a 5 sementes marrons e discóides. 
Os frutos são vagens cobertas por longos e afiados espinhos, que devem protegê-los de pássaros indesejáveis, pois estes comeriam os frutos. Contém de uma a cinco sementes discoides, de cor marrom. A torção do legume, ao liberar as sementes, ajuda a aumentar a distância da dispersão.
Atualmente o pau-brasil é uma espécie ameaçada de extinção, que é dificilmente encontrada em seu habitat natural. Esta escassez se deve à intensa exploração que sofreu no passado, quando sua madeira era utilizada para extração de corantes. Apesar disso está sendo largamente utilizada no paisagismo urbano, devido às suas qualidades ornamentais, e é comum sua aplicação em parques públicos e amplos jardins residenciais. 
De crescimento  lento, pode atingir 30 metros de altura e 60 centímetros de diâmetro de tronco. O pau-brasil apresenta madeira de excelente qualidade, dura, compacta, vermelha e muito resistente, apropriada para a construção naval, indústria moveleira e de intrumentos musicais. Ainda hoje ela é utilizada para confecção arcos de violinos.
Deve ser cultivado sob sol pleno, em solo fértil, enriquecido com matéria orgânica e muito bem drenado. Durante o primeiro ano recomenda-se a proteção da muda, em local semi-sombreado. Adubações anuais estimulam uma intensa floração. Multiplica-se por sementes, que germinam com facilidade, não sendo necessária a quebra de dormência.

Fontes:


http://www.sescsp.org.br/
http://pt.wikipedia.org/
http://www.infoescola.com 





terça-feira, 3 de julho de 2012

Macaúba - Acrocomia aculeata


Nome popular: macajuba; coco-de-espinho 
Nome científico: Acrocomia aculeata (lacq ) Lood. ex Mart
Família botânica: Palmae
Origem: Matas do norte até o sudeste do Brasil

"Entre os coqueiros que vegetam produzem abundantemente no Brasil, dando cocos geralmente apreciados e de grande valor industrial e comercial, distingui-se o que é mais vulgarmente conhecido no norte do Brasil como macaubeira e no sul, coqueiro-de-catarro. É vasta a sinonímia popular desse coco ou coqueiro: mucajá, mocujá, mocajá, macaúba, macaíba, macaiúva, bacaiúva, bocaiúva, umbocaiúva, imbocaiá, mbocaiúva ou mbocaíba." 
FRUTAS DO BRASIL - Eurico Teixeira


Características da planta


Palmeira de até 15 m de altura. Estipe ereto reco-berto pelos restos das folhas velhas apresentando muitos espinhos escuros em sua superfície Folhas de até 1m de comprimento, de aspecto crispado com espinhos. Flores agrupadas em cachos de até 80 em de  comprimento, pequenas, amareladas. Surgem de outubro a janeiro. 


Fruto


Globoso, liso, de coloração marrom- amarelada quando maduro. Polpa amarelada com uma amêndoa oleaginosa Frutifica de setembro a janeiro. 

Flor



Tronco




Cultivo


A propagação é feita por sementes. Necessita de substrato arenoso rico em matéria orgânica. O local deve ser sombreado. 

"No decorrer de milhões de anos as palmeiras adaptaram-se às condições mais variadas do clima e do solo. A maioria prosperou no clima equatorial quente e úmido. Outras suportaram prolongados estios dando-se bem no clima árido, semídesértico. Outras ainda, saíram do inturão tropical, suportando temperatura abaixo de zero. Crescem no solo bom, próprio para agricultura. Adaptaram-se também aos solos ácidos, silicosos, estéreis, nos quais nenhuma planta econômica cultivada poderia medrar. Crescem nos brejos, como também nos rochedos secos, sem solo decomposto algum."
PALMEIRAS DO BRASIL - Gregório Bondar

A macaúba é palmeira de vasta distribuição geográfica. Sua área de ocorrência estende-se desde os Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, passando por Minas Gerais e por todo o centro-oeste, nordeste e norte do Brasil, até ultrapassar as fronteiras, atingindo a América Central. Segundo consta no dicionário de Pio Corrêa, alguns estudiosos supõem que a macaúba chega, até mesmo, a alcançar o México.

Com tamanha dispersão e considerando-se as semelhanças existentes entre as palmeiras do gênero Acrocomia ao qual pertencem a macaúba, a macaíba e o mucajá, é natural que existam diferentes nomes regionais para designar tais palmeiras e que estes se confundam entre si.

Segundo Gregório Bondar, o gênero Acrocomia abrange 15 espécies distintas, das quais 10 são consideradas brasileiras. São, em todos os casos, palmeiras robustas cujos estipes eretos, esguios e elegantes, alcançando cerca de 20 metros de altura, e apresentam-se, geralmente, revestidos por fortes espinhos, em especial perto do topo. Em seu estado de natureza, destacam-se pela exuberante beleza de seu conjunto, em agrupamentos onde podem ser encontradas juntamente com outras palmeiras, como a carnaúba.

Uma das principais características dessas palmeiras é a presença de espinhos ao longo de seu estipe - não tantos, porem, como se pode encontrar na palmeira brejaúva variando a quantidade e o tipo de acordo com a espécie considerada.

O aproveitamento dos frutos tanto da macaúba (Acrocomia aculeata, aquela que apresenta mais espinhos e é encontrada em maiores concentrações nos Estados de Minas Gerais e de Goiás) como da macaíba (Acrocomia intamescens, a mais baixa e que forma uma espécie de barriga em seu estipe, mais freqüente nos estados nordestinos) e do muca-já (Acrocomia sclerocarpa, aquela que apre-senta menos espinhos e que é freqüente na região Norte) é também muito semelhante.

Nos três casos, a polpa que reveste as amêndoas dos cocos que estas palmeiras produzem é frequentemente consumida in natura pelas populações locais. Além disso, dela, pode-se extrair boas quantidades de óleo, que é destinado, principalmente, à indústria de sabões, sendo também empregado na culinária, na alimentação de Iampiões e na medicina caseira.

Segundo Pio Corrêa, ainda mais importante é o óleo transparente e incolor obtido a partir da amêndoa dos cocos, em especial da macaúba, que, além de possuir boa rentabilidade, é fino e comestível, podendo substituir perfeitamente o azeite de oliva. O mesmo autor faz também referência ao fato de que, na região de Diamantina, em Minas Gerais, utiliza-se o revestimento externo do coco que é bastante duro e espesso, parecendo osso ou marfim - na confecção de enfeites e de adornos artesanais, tais como anéis, abotoaduras, correntes, etc.

Apesar de sua abundante frutificarão e tantas outras qualidades, essas palmeiras brasileiras do gênero Acrocomia, selvagens e nativas e em quase todo o território nacional, têm sido exploradas de forma rudi mentar e doméstica, bem aquém de seus potenciais econômicos.

Alternativas para o seu melhor aproveitamento vêm sendo apontadas em experimentos realizados no Centro de Pesquisa Agropecuária do Cerrado da EMBRAPA do Distrito Federal, que desenvolveram várias receitas gostosas e nutritivas utilizando a polpa do coco da macaúba, tais como: doces, paçocas, geléias e cocadas.
 

Blogger news

Nº de Visualizações

About