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quarta-feira, 3 de maio de 2017

Pau-Branco - Auxemma oncocalyx


CLASSIFICAÇÃO:

DIVISÃO:
Magnoliophyta
CLASSE:
Magnoliopsida
FAMÍLIA:Boraginaceae
GÊNERO:
Auxemma
ESPÉCIE:
A. oncocalyx






  • Nomes Populares:
No Ceará, louro-branco; pau-branco, pau-branco-preto e pau-branco-do-sertão e no Rio Grande do Norte, frei-jorge, freijó, pau-branco e pau-branco-preto.
  • Etimologia:
O nome genérico Auxemma significa secura. O gênero é endêmico da Caatinga.

O Pau-branco é uma das duas espécies do gênero Auxemma. Possui porte arbóreo e é encontrada por todo o estado do Ceará e também no Rio Grande do Norte, sendo considerada endêmica da Caatinga.

Além de áreas de vegetação de caatinga esta espécie também ocorre em pontos da região litorânea, que contem uma vegetação distinta denominada mata de tabuleiro.

Sua madeira é de qualidade, podendo ser usada para a confecção de móveis ou como caibros, tábuas, assoalhos e estacas. Também é usada na medicina popular para o tratamento de ferimentos e queimaduras.

O pau-branco é uma espécie extremamente ornamental e poderia ser perfeitamente incorporada à arborização das cidades cearenses (sua área de ocorrência natural).
 

Descrição  Botânica:

  • Forma biológica e estacionalidade:
É arbórea (arvoreta a árvore), de caráter decíduo.
As árvores maiores atingem dimensões próximas a 12 m de altura e 45 cm de DAP (diâmetro à altura do peito, medido à 1,30 m do solo), na idade adulta.

  • Tronco:

Devido ao valor de sua madeira, raramente é encontrado um exemplar que não venha de renovo de velhos troncos, apresentando-se ramificado, a partir de 20 cm a 30 cm do solo, geralmente com multitroncos.
Ramificação: 
É dicotômica. A copa é bastante ramificada. 
  • Casca:
Com até 15 mm de espessura. A casca externa é esbranquiçada, dificilmente destacável, flexível, apresentando lenticelas semelhantes a verrugas com diâmetro de 1,0 mm a 3,0 mm, salientes, dispostas irregularmente, podendo destacar porções laminares.
 
A casca interna é de coloração bege-clara, passando a castanho quando exposta ao ar. Apresenta exsudato transparente, aquoso, sem odor ou sabor distinto.
  • Folhas: 
São simples, alternas, elípticas, oblongas ouoblongo-obovadas, íntegras ou serreadas do meio para o ápice e de consistência membranácea. Apresentam face adaxial com glândulas salientes e esparsas, face abaxial com raros tricomas ou pêlos simples ao longo das nervuras. Apresentam, também, ápice agudo, com lâmina foliar medindo de 12 cm a 35 cm de comprimento por 4 cm a 12 cm de largura. O pecíolo é cilíndrico, mais ou menos desenvolvido, com até 4 cm de comprimento.  

  • Inflorescências:
São constituídas de densas panículas, do tipo tirso.  
  • Flores:
São pequenas, pentâmeras, alvas e suavemente perfumadas. O cálice é campanulado, medindo 0,2 cm a 0,3 cm, piloso na face externa e glabro na face interna, com cinco dentes. A corola é campanulado-infundibuliforme, medindo cerca de 0,75 cm a 1 cm, actinomorfa, pilosa na face externa e glabra na interna.
  • Fruto: 
É uma drupa elipsóide, piriforme, medindo de 1,5 cm a 2 cm de comprimento, envolta por uma vesícula penta-angulosa, formada pelo cálice acrescente e em forma de balão inflado, cônico, medindo de 5 cm a 8 cm de comprimento, com 1 a 4 sementes.
  • Sementes:
São normais, ásperas e de forma elíptico-acuminada.  
  • Reprodução:
O pau-branco-do-sertão é uma espécie monóica. O sistema reprodutivo é auto-incompatível, só produzindo frutos a partir de polinizações cruzadas interformas uma vez que apresenta heterostilia do tipo distilia.  
  • Vetor de polinização:
Essa espécie é visitada frequentemente e polinizada por duas espécies de moscas da família Syrphidae.
  • Floração:
Ocorre de março a agosto, no Ceará e de maio a agosto, no Rio Grande do Norte.
 


  • Frutificação:
Os frutos amadurecem de junho a agosto, com a planta totalmente despida de sua folhagem, permanecendo sobre a árvore por mais algum tempo.
 

Dispersão de frutos e sementes:
É anemocórica (pelo vento), favorecida pelo cálice acrescente que envolve os frutos.
 

Ocorrência  Natural:



  • Latitudes:
De 3º 45’ S, no Ceará a 16º 45’ S, em Minas Gerais.
  • Variação altitudinal:
De 10 m, no Ceará a 700 m de altitude, em Minas Gerais.  
  • Distribuição geográfica:
Ocorre de forma natural no Brasil, nas seguintes Unidades da Federação:
· Bahia;
· Ceará;
· Minas Gerais;
· Pará;
· Pernambuco;
· Rio Grande do Norte.
 

Aspectos  Ecológicos:



  • Grupo ecológico ou sucessional:
O Pau-branco  é uma espécie secundária tardia.  
  • Importância sociológica:
O pau-branco-do-sertão é característico da Caatinga, onde apresenta distribuição restrita, mas contínua no Ceará. É comum nas capoeiras, em indivíduos deformados, oriundos de renovos de tocos das árvores da antiga mata.

BIOMAS:


  • Bioma Mata Atlântica
Floresta Ombrófila Densa (Floresta Tropical Pluvial Atlântica), na formação Submontana, no sul do Ceará, com freqüência de até 2 indivíduos por hectare.
 


  • Bioma Caatinga
Savana-Estépica ou Caatinga do Sertão Árido, no Ceará, em Minas Gerais e no Rio Grande do Norte, com freqüência até 152 indivíduos por hectare.

O pau-branco-do-sertão é a árvore mais característica do sertão cearense, alcançando a base das serras e a faixa litorânea.
 

CLIMA:


  • Clima
Precipitação pluvial média anual:
De 750 mm, no Rio Grande do Norte a 2.400 mm, no Ceará.

  • Regimes de precipitação:
Chuvas periódicas, concentradas no verão e no outono.

  • Deficiência hídrica:
É forte, com até nove meses de período seco.
  • Temperatura média anual:
22,4 ºC (Montes Claros, MG) a 27,2 ºC (Mossoró, RN).
  • Temperatura média do mês mais frio:
19,4 ºC (Montes Claros, MG) a 26 ºC (Morada Nova, CE).
  •  Temperatura média do mês mais quente:
 24,4 ºC (Montes Claros, MG) a 28,7 ºC (Mossoró, RN).

  • Temperatura mínima absoluta:
 6,5 ºC (Montes Claros, MG).
 

  • Classificação Climática de Koeppen: 

Aw  (tropical chuvoso, de savana, megatérmico, quente, com inverno seco), no sul do Ceará, no norte de Minas Gerais e em partes do Rio Grande do Norte.
BSwh  (semi-árido, tipo estepe, muito quente, com estação chuvosa no verão que se atrasa para o outono, podendo não ocorrer), no Ceará e no Rio Grande do Norte.
 

SOLO:

Auxemma oncocalyx  ocorre, naturalmente, em vários tipos de solos, com exceção dos solos extremamente rasos e mal drenados, desenvolvendo-se melhor nos solos profundos e não muito secos.

 

Tecnologia de Sementes:


Colheita e beneficiamento:  produz, anualmente, grande quantidade de sementes viáveis. Os frutos devem ser colhidos diretamente da árvore, quando iniciarem a queda espontânea ou recolhidos do chão, após a queda. Em seguida, deve-se  retirar o envoltório paleáceo, que recobre a semente. 

  • Número de sementes por quilo:
625 a 750.

  • Tratamento pré-germinativo:
A semente dessa espécie apresenta forte dormência tegumentar. Por isso, recomenda-se submetê-la a imersão em solução branda de soda cáustica a 30 %, durante 3 dias, para remover o verniz que as envolve, facilitar a penetração da umidade no tecido suberoso e promover rápido amolecimento, possibilitando a germinação. 
  • Longevidade e armazenamento:
Em armazenamento, a viabilidade é superior a 10 meses.
 

Produção de Mudas:

  • Semeadura:
As sementes dessa espécie devem ser postas para germinar logo após sua colheita e preparo, em canteiros semi-sombreados contendo substrato de solo argiloso enriquecido com esterco bem decomposto. Como suas sementes são grandes, podem também ser semeadas, diretamente em sacos individuais de polietileno ou em tubetes de polipropileno grande. Em ambos os casos, as sementes devem ser cobertas com uma camada de terra peneirada de 1 cm de espessura e irrigadas diariamente.
 

  • Germinação:
É epígea ou fanerocotiledonar. A emergência é lenta e difícil, de 70 a 100 dias. Geralmente, a taxa de germinação é baixa. Sementes colocadas para germinar em meio de cultura M&S, após 15 dias, apresentaram 96 % de germinação para todos os tratamentos com M&S em todas as concentrações, sendo o melhor resultado obtido com diluição a 25 % do meio, onde as plântulas encontravam-se com 12,5 cm de comprimento. A sobrevivência das plântulas na aclimatação foi de 100 %, para aquelas desenvolvidas no meio M&S. O desenvolvimento das mudas é lento, ficando prontas para o plantio em local definitivo entre 8 e 10 meses.


Características  Silviculturais:


O pau-branco-do-sertão é uma espécie heliófila, extremamente suscetível ao frio.
 


  • Hábito:
Geralmente apresenta forma irregular em plantio, ramificada comumente a partir da base, formando touceiras de 2 a 3 troncos. Tem necessidade de desbrota e desrama para a formação de fuste.

  • Métodos de regeneração: 


Recomenda-se plantio misto, associado com espécies pioneiras e de crescimento rápido.
 


  • Sistemas agroflorestais (SAFs):
O pau-branco-do-sertão é recomendado na composição de quebra-ventos e faixas arbóreas mistas entre plantações, em renques seguindo cercas e limites, e para arborização de estradas. 

Conservação genética:


Em decorrência da germinação difícil e demorada, associada ao corte indiscriminado devido a sua grande utilidade,  Auxemma oncocalyx vem sendo extinta da Região Nordeste, necessitando, urgentemente, de um programa de conservação.


O pau-branco-do-sertão é considerado como espécie vulnerável, com probabilidade de passar à categoria em perigo em futuro próximo.



  • Crescimento e Produção
Em plantios, essa espécie apresenta poucos dados de crescimento. Contudo, no campo, o desenvolvimento das plantas é lento.

Características  da  Madeira:

Massa específica aparente (densidade):
A madeirado pau-branco-do-sertão é moderadamente densa - 0,70 g.cm -3.
 


  • Cor:
O cerne é da cor de chocolate, uma cor pardo-arroxeada ou violáceo-escura, às vezes um tanto variegada, depois de exposta ao ar, esmaecendo para pardo-clara. O alburno é pardo-claro ou amarelado, estreito e bem diferenciado do cerne.
 

  • Características gerais:
A superfície é lustrosa e lisa. A madeira dessa espécie não apresenta cheiro nem sabor. A textura é grossa e a grã direita. 

  • Outras características:
É resistente ao ataque de fungos e de insetos, principalmente cupins. É fácil de ser trabalhada, permitindo belo acabamento. A estrutura é muito mais próxima de Cordia  do que de Patagonula.

Produtos  e  Utilizações:

  • Madeira serrada e roliça:
É de boa qualidade para móveis, assoalhos, tabuados, vigamentos, caixilhos, caixões para cereais, carpintaria, construções pesadas, pontes, dormentes, estacas, mourões, pranchas e instrumentos agrícolas.

No Ceará, é a madeira nativa mais utilizada nas construções civis.

  • Energia:
A madeira do pau-branco-do-sertão proporciona lenha e carvão de boa qualidade.
 

  • Celulose e papel:
Auxemma oncocalyx  é inadequada para esse uso.
 

  • Alimentação animal:
Os ramos constituem forragem muito procurada para o gado, com teor de proteína bruta de 15,3 % a 17,2 %.
 

  • Medicinal:
Por apresentar propriedade adstringente, a casca do pau-branco-do-sertão é usada em cozimento, em banhos para tratamento de feridas e de ferimentos.

  • Paisagístico:
Quando coberta de miríades de flores brancas alvas e perfumadas, essa espécie apresenta
belo aspecto paisagístico e ornamental. Por isso, o pau-branco-do-sertão pode ser usado, com sucesso, em paisagismo, particularmente em arborização de ruas estreitas e sob fios elétricos.


  • Plantios com finalidade ambiental:
Por ser uma planta de usos múltiplos, essa espécie é muito importante para plantios na Caatinga nordestina.

Espécies Afins:

No Brasil, ocorrem duas espécies do gênero Auxemma Miers. Auxemma glazioviana Taub., conhecida por pau-branco-louro, é mais rara e de área de ocorrência menor.

Distingue-se de A. oncocalyx, por apresentar folhas com a face inferior pilosa e com as axilas das nervuras barbadas. O fruto dessa espécie é duas vezes menor.

  • Fontes:
https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/314914/1/circtec153.pdf
https://pt.wikipedia.org/wiki/Auxemma_oncocalyx


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